Etiqueta Inclusiva: O que dizer (e o que nunca dizer) para uma Pessoa com Deficiência
Sempre acreditei que, como Engenheira de Segurança, eu entendia tudo sobre normas, proteção e ambientes seguros. Mas a maternidade atípica veio para me ensinar que a verdadeira segurança não está apenas em corrimãos ou rampas: ela começa na atitude.
Oi, sou a Cibely.
Mãe do Ravi e apaixonada por criar um mundo onde ele caiba. Hoje, quero compartilhar com vocês um "Manual de Sobrevivência Social". Não é sobre regras chatas, é sobre como o nosso comportamento pode abrir (ou fechar) portas para pessoas como o meu filho e tantos outros.
A acessibilidade é um direito universal e vai muito além da estrutura física; ela está na comunicação e na quebra de barreiras atitudinais. Vamos aprender juntas a transformar boas intenções em ações inclusivas?
1. O Poder das Palavras: O que dizer (e o que esquecer)
A linguagem molda o pensamento. Muitas vezes usamos termos antigos sem maldade, mas que carregam estigmas pesados. A regra de ouro é: a pessoa vem antes da deficiência.
"Portador de deficiência"
"Deficiente"
"PNE" (Portador de Necessidades Especiais)
Pessoa com Deficiência
Pessoa com Mobilidade Reduzida
Por que mudar? Ninguém "porta" uma deficiência como se fosse uma bolsa que pode deixar em casa. A deficiência é uma característica da pessoa, mas não a define por completo.
2. Guia Prático: Como agir em cada situação
Muitas vezes, queremos ajudar e travamos por medo de errar. Baseado no Manual de Etiqueta Inclusiva e na Lei Brasileira de Inclusão, preparei este guia rápido:
- Fale olho no olho: Se a conversa for longa, sente-se ou agache para ficar no mesmo nível do olhar.
- Não empurre sem pedir: A cadeira é uma extensão do corpo da pessoa. Nunca apoie nela ou movimente-a sem permissão.
- Acompanhante não é porta-voz: Dirija a palavra à pessoa com deficiência, não a quem está com ela. ou com baixa visão
- Identifique-se: Ao chegar perto, diga quem você é. Avise também se for sair do ambiente.
- Ofereça o braço: Não puxe a pessoa. Ofereça seu ombro ou cotovelo para que ela segure e siga seus movimentos.
- Seja descritivo: Em vez de "cuidado ali", diga "cuidado, degrau à frente descendo".
- Chame a atenção: Acene ou toque levemente no braço antes de falar.
- Não grite: Fale em tom normal, articulando bem os lábios, caso a pessoa faça leitura labial.
- Interaja diretamente: Se houver um intérprete de Libras, olhe para a pessoa surda, não para o .
- Respeite a idade: Não trate adultos como crianças. O tom de voz deve ser condizente com a idade cronológica.
- Seja objetivo: Evite metáforas complexas ou duplo sentido. Comunicação clara e direta funciona melhor.
- Tempo de resposta: Respeite o tempo de processamento da pessoa. Tenha paciência para ouvir.
A acessibilidade não é "favor", é norma técnica e lei. Como engenheira, vejo muitas edificações falhando no básico. Segundo a NBR 9050, a sinalização de emergência precisa ser sonora E visual (para alertar surdos e cegos).
Mas a maior barreira que enfrentamos não é arquitetônica, é a atitudinal. Uma rampa perfeita não serve de nada se houver um carro estacionado na frente ou um olhar de julgamento. A verdadeira inclusão acontece quando o ambiente E as pessoas estão preparados.
Conclusão: A inclusão começa em nós
Educar o mundo para receber o Ravi e tantas outras crianças começa com pequenos gestos. Perguntar "como posso ajudar?" é sempre melhor do que assumir que sabemos o que fazer.
Espero que este guia ajude você a se sentir mais segura para interagir e acolher. Vamos juntas construir essa sociedade mais gentil?
📚 Referências Bibliográficas e Legais
- BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015.
- MINISTÉRIO DO TURISMO. Manual de etiqueta inclusiva. Brasília, 2016.
- APA (American Psychological Association). Disability Language Style Guide. Washington, DC.

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